27/02/2018 Mercado

Refeições servidas com estilo

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Desenho autoral  

Da pesquisa profunda de texturas, materiais, formas e acabamento, nascem os produtos atemporais e elegantes do estudiobola. Fundada em 2000 pelos arquitetos Flavio Borsato e Mauricio Lamosa, que se conheceram enquanto estudavam na Universidade Mackenzie, a empresa é hoje referência em design e mobiliário brasileiro autoral, com mais de 700 itens em seu portfólio, entre mesas de jantar, cadeiras, sofás, luminárias e revestimentos cerâmicos. Prestes a abrir uma base em Milão, na Itália, o estúdio começou sua trajetória em São Bernardo do Campo – cidade do ABC paulista onde nasceu Borsato e local em que seu pai italiano mantinha uma fábrica de móveis. Atualmente, ocupa um galpão de 700 m² no Alto da Lapa, em São Paulo, que abriga loja, departamento comercial e área de criação. 

Do início do negócio até contar com uma equipe de 12 profissionais, a simplicidade estudada à exaustão e as peças com personalidade são características constantes no trabalho do estudiobola. Moda, arquitetura e design gráfico são algumas das fontes de inspiração de Borsato e Lamosa. “Tudo que está à nossa volta nos influencia”, comenta Lamosa. Os sócios apontam a análise de comportamento social de mercado, que define os nichos de produtos que precisam ser desenhados, como outra particularidade nos objetos que concebem. “A inspiração só funciona quando sabemos o que precisa ser criado, e, a partir daí, começamos uma imersão fabril para viabilizar industrialmente esse projeto. Damos o mesmo peso tanto para a idealização da peça como para a produção”, destaca Borsato. 

Ao desenhar uma mesa de jantar, os arquitetos explicam que o primeiro passo envolve a definição do tampo: se ele será quente ou frio, de pedra, vidro ou madeira. Segundo eles, o toque do tampo nos braços define o design. Apesar de trabalharem com todo tipo de matéria-prima, a madeira é a preferida por ser uma superfície mais informal e aconchegante. A peça Lena, com tampo barril e quatro pés, demonstra a preocupação da empresa com a questão fabril e o desenho. Mais orgânica e em formato elíptico, a Forte é um exemplo de projeto bastante autoral do estúdio. Já simplicidade é a palavra para definir a mesa Ballon, criada para que as cadeiras que compõem o conjunto apareçam sem deixar o ambiente pesado. Curtos e, em geral, femininos, os nomes dos itens são definidos de maneira subjetiva e divertida. “Eles precisam casar com o desenho”, detalham. 

“Desenho autoral, simplicidade formal e elegância são a espinha dorsal do trabalho do estúdio, que foge dos modismos, buscando resultados atemporais, que elevam a vida útil das peças.” Flavio Borsato e Mauricio Lamosa, arquitetos e sócios do estudiobola.

 

Arte da marcenaria  

A madeira é a matéria-prima presente em todos os projetos criados pelo arquiteto de formação e designer por afirmação Ibanez Reck Razzera. A paixão pelo “pó da madeira” nasceu há mais de 30 anos quando recebeu a encomenda de idealizar um bar e restaurante em Porto Alegre, sua cidade natal, e enfrentou dificuldade em achar mão de obra local para executar suas peças. “Fui obrigado a assessorar diretamente uma pequena marcenaria que fez o mobiliário e, daquele contato, surgiu esse amor”, recorda. Esse encontro levou Razzera a adquirir uma fábrica de móveis em Chapecó, Santa Catarina, cidade onde mora hoje. 

O negócio cresceu e se transformou em uma indústria, onde o designer se aprimorou na arte de trabalhar a madeira e passou a compreender a relação entre a idealização de uma ideia e o seu processo produtivo. Apesar de ter iniciado sua carreira abrindo um escritório de arquitetura e de ter sido professor nessa área na Universidade Comunitária Regional de Chapecó (Unochapecó), atualmente, ele atua junto ao setor moveleiro, com um trabalho que une consultoria, desenvolvimento de produtos de design e inserção dessas empresas no segmento de móveis de decoração. “Digo que tenho uma formação que é fruto do chão de fábrica e da escola de arquitetura”, define. 

Para Razzera, nada acontece por acaso na criação. A pesquisa e a busca por informações constantes são fontes de inspiração que, segundo ele, resultam na legitimidade de um produto de design. Entre os estudos realizados pelo designer, ele ressalta a criação de peças, nos anos 2000, com resíduos da indústria moveleira, como sobras, retalhos e material de descarte. A cultura indígena do Oeste catarinense também influencia suas obras. “Fiz um trabalho a partir das técnicas dos Kaigangs usando fibras vegetais, bambu e o trançado”, aponta. Mais recentemente, explorou o desenho, a textura e os defeitos de madeiras consideradas menos nobres, sem a interferência de cores ou acabamentos extremos. “Queria a madeira como protagonista e não coadjuvante, o que levou a itens com formas puras e livres de tingidores ou vernizes”, detalha. As mesas Class, Chivas e Niva são exemplos da paixão de Razzera pelo trabalho com o material.  

“Defino meu trabalho atual como o de democratização do design, com o qual mais empresas, principalmente as pequenas, podem ter sucesso com produtos bem elaborados.” Ibanez Razzera, arquiteto e designer.

 

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Fonte: Melnick Even Magazine – Interna Projetos Editoriais
Fotos: Sollos / divulgação estudiobola e Ibanez Reck Razzera